Por Jorge / Atleta Teo Esportes
Eu nunca fui sedentário, mas também nunca tinha sido atleta. Aos 40 anos, depois de aprender do
zero as três modalidades do triatlo, completei meu primeiro Ironman 70.3 e alcancei a melhor forma
física da minha vida. Mais do que concluir a prova, essa experiência me fez voltar a sentir algo que
há muito tempo eu procurava: a emoção de conquistar um objetivo realmente desafiador.
Quando decidi começar no triatlo, não sabia nadar e não tinha experiência com treinos de ciclismo
ou corrida. Começava ali o desafio de aprender três esportes e encaixá-los na minha rotina. Antes
de pensar nos 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida, eu precisava respeitar as
etapas.
O começo sem estrutura perfeita
Muita gente fala sobre o custo do triatlo e a quantidade de equipamentos necessários. O esporte
realmente envolve custos, mas isso não significa que seja preciso ter tudo logo no começo. Durante
grande parte da minha preparação, fiz os treinos de ciclismo em uma bike de academia.
A Teo Esportes adaptou os treinos aos equipamentos que eu tinha e ao meu nível em cada
modalidade. Isso me permitiu começar sem esperar por uma estrutura perfeita. Com o tempo, fui
evoluindo e melhorando os equipamentos, mas o treinamento nunca dependeu de ter o melhor
material disponível.
A construção da experiência etapa por etapa
Antes do 70.3, completei quatro triatlos olímpicos. Essas provas me deram experiência com
largadas, natação ao lado de outros atletas, transições, alimentação e decisões com o corpo
cansado. Também me ensinaram que a ansiedade pré-prova precisa ser treinada. A cada largada,
eu entendia melhor minhas reações e chegava mais preparado para o desafio seguinte.
Por isso, não acredito que alguém precise ter pressa para fazer um 70.3. Participar de provas
menores não atrasa o objetivo. Pelo contrário, aumenta a confiança e ajuda o atleta a chegar mais
preparado. A decisão de avançar para uma distância maior deve ser tomada junto com os
treinadores, considerando não apenas a vontade, mas o nível real de preparação.
Confiar no processo e nos ajustes
Ao longo dos dois anos, tive vários momentos em que achei que não estava evoluindo. Quem treina
tende a avaliar tudo pelo resultado mais recente, e um treino ruim pode fazer parecer que todo o
trabalho está dando errado. Nessas horas, meus treinadores me ajudaram a olhar o ciclo de forma
mais ampla e perceber avanços que eu não conseguia enxergar sozinho.
“O treinador acompanha a preparação inteira, enquanto o atleta muitas vezes avalia tudo com
base em como se sentiu naquele dia. Confiar no processo foi cumprir o planejamento, aceitar
os ajustes e continuar treinando mesmo quando a evolução não parecia clara.”
Quando cheguei ao Ironman 70.3 Rio, os 21 km finais seriam apenas a segunda meia maratona da
minha vida. Esse dado poderia parecer uma grande ousadia se não existissem antes dois anos de
preparação, quatro triatlos olímpicos, treinos longos, simulados e acompanhamento da assessoria.
O grande desafio e a linha de chegada
A prova trouxe condições muito difíceis. O vento forte exigiu bastante no ciclismo, mas foi o calor
durante a corrida que realmente me colocou em dúvida. Em alguns momentos, eu não sabia se
conseguiria terminar. Mesmo assim, mantive a corrida e reorganizei a estratégia. Em vez de insistir
no ritmo planejado e correr o risco de quebrar, passei a controlar melhor o esforço, a hidratação e a
alimentação para chegar bem até o final.
Foi nesse momento que precisei confiar no que havia treinado e nas experiências acumuladas nas
provas anteriores.
Concluir meu primeiro Ironman 70.3 aos 40 anos, na melhor forma física da minha vida, foi
exatamente a conquista que eu procurava quando decidi começar. Saí do Rio realizado por ter
terminado uma prova tão dura e por enxergar, de forma concreta, o quanto evoluí nesses dois anos.






