Por Sandra/ Atleta Teo Esportes
Estou na Teo Esportes desde 2022, quando comecei a praticar Trail Run. Eu queria apenas praticar um esporte na natureza, e ali eu me encontrei! Desde então, foram muitas provas de trilha. Fiz minha primeira La Mision em 2023, nos 15km, e lembro que, na subida mais desafiadora da prova, pensei: “lembre-se dessa inclinação e nunca se inscreva nas distâncias maiores”. No ano seguinte, lá estava eu, de volta a Passa Quatro, correndo os 35km!
A montanha é a minha paixão e a sensação de correr na natureza é mágica! Eu nunca planejei correr 50km, mas tinha o sonho de passar pela Serra Fina. As imagens daquela cadeia de montanhas na Serra da Mantiqueira me enchiam os olhos e eu me imaginava lá! Para realizar esse sonho com a estrutura de uma prova, só enfrentando a La Mision 55km.
O obstáculo e o respeito ao processo
Planejei esse objetivo para 2025, mas os meses que antecederam o início do ciclo foram muito delicados na minha vida pessoal. Eu não estava bem emocionalmente — o que afetou meu sono, alimentação e tudo mais. Compartilhei esse momento com meu treinador, que imediatamente ajustou a carga de treinos. Mesmo assim, era difícil entregar um treino bem feito. Na etapa inicial do ciclo, fui diagnosticada com canelite em grau máximo e fratura por estresse. A prova foi excluída dos meus planos e fiquei 3 meses sem correr.
“O esporte nos ensina muito. Aquele não era o momento de viver a Serra Fina. Eu precisava me recuperar, dar tempo ao corpo e à alma e respeitar o processo. Porque meu sonho continuava vivo!”
No final de 2025, eu já estava de volta às corridas, me sentindo em paz! O furacão estava passando: inscrição pra 2026 confirmada!
A preparação e a grande conquista
O ano de 2026 foi completamente diferente. Além das trilhas, fiz minha primeira maratona de asfalto, em Belo Horizonte. Tudo alinhado com o meu treinador, que adaptou a planilha pra conciliar os objetivos de cada prova.
O ciclo para a ultramaratona foi perfeito. É incrível ver a evolução semana a semana e perceber como passamos a conhecer melhor o próprio corpo. Curiosamente, em um ciclo de tanto volume e finais de semana com treinos duplos, não tive nenhuma dor importante ou lesão. Era o meu momento.
O maior desafio seria o tempo de exposição: uma prova de 57km com mais de 4000m de ganho de altimetria acumulada e a previsão de 17 horas de prova.
O dia da prova estava lindo e perfeito. A imensidão da Serra Fina não se explica, me emocionei em vários momentos. Me senti forte e preparada e curti cada trecho. No km 30 tomei um susto ao tropeçar e cair de joelho — uma dor intensa na hora, mas que não me impediu de continuar.
Essa prova teve um significado enorme na minha vida. Mostrou a importância de respeitar e confiar no processo. A subida é dura, mas se formos capazes de sustentar o desconforto e manter o ritmo, o topo chega! E a vista lá de cima compensa qualquer esforço.
Assim é a vida: cheia de sobe e desce. Mas quando a gente deseja algo de verdade, a gente consegue!






