3h29: O que minha primeira maratona me ensinou sobre respeitar o corpo e acreditar no potencial

Por Talita Medonça | Aluna Teo Esportes


O que parecia um objetivo distante em 2019 tornou-se a maior lição de autoconhecimento da minha vida. Entre apostas, desafios físicos e a busca por um tempo desafiador, descobri que a maratona não é apenas uma prova de resistência, mas um exercício constante de mente, paciência e, acima de tudo, a prova de que o que chamamos de “difícil” é apenas o convite para o nosso próximo nível.

O ponto de partida: Do sonho à prática
A ideia de correr uma maratona começou em 2019, quando corri uma meia maratona pela primeira vez, “do nada”, e percebi que o que parecia impossível — os 42 km — era, na verdade, factível com um bom planejamento.

Corri aquela prova incentivada pelo meu irmão André. Vê-lo se dedicar a maratonas pelo mundo, criando hábitos saudáveis e evoluindo com disciplina, fez nascer em mim um sonho: correr uma maratona com ele. Como boa colecionadora de experiências, adicionei essa ao meu bucket list. Namorei a ideia por uns três anos, mas só no ano passado resolvi colocá-la em prática. Assim que me mudei para Belo Horizonte, entrei para a Teo Esportes e comecei os treinos em agosto de 2025.

A meta ousada e o poder da autoconfiança
A cada treino, aprendia com treinadores e corredores experientes que tudo dependia do básico bem feito: treinos, alimentação, sono, recuperação e fortalecimento, sempre com constância.

Porém, como boa virginiana com ascendente em Áries, bastou surgir uma aposta entre mim, meu irmão e um amigo para eu estabelecer uma meta audaciosa: correr em 3h33min. Ouvi diversos comentários desmotivadores: “Você está viajando. É sua primeira maratona. O Rio é uma prova quente, difícil… Se treinar muito, com sorte você faz 3h45.”

Ouvi com dúvida se eu não tinha noção ou se as pessoas é que não sabiam do que eu era capaz. Continuei secretamente firme. A verdade é que a maioria das pessoas não acredita no próprio potencial, quem dirá no do outro. E eu? Quando coloco uma meta, pode anotar: vai sair.

A lesão como mestre: Quando o corpo pede para ouvir
O maior aprendizado desse ciclo foi refinar minha autoconsciência. Ao longo da vida, tive dificuldade em respeitar limites e me permitir pausas. Na Teo Esportes, aprendi a controlar o ego, mas, muitas vezes, cedi à vozinha que dizia: “Você pode correr mais rápido. Mais longe. Mais. Mais. Mais.”

Isso cobrou seu preço no segundo mês. Em meio ao estresse, viagens e exaustão, lesionei a canela e precisei parar. Essa pausa foi a virada de chave: maratona é um jogo entre mente e corpo. A mente precisa entender o que o corpo necessita para executar o que ela comanda. Estar presente em si mesma é o que permite ajustar a rota.

Além do cronômetro: Mentalizando a vitória
A verdade é que a mente é o nosso maior limitador. Se eu tivesse ouvido 90% das pessoas, não teria entregue uma prova tão bonita: correndo do começo ao fim com um sorriso, curtindo cada momento e com gás para um sprint final que me rendeu 3h29min.

Aqui vai um segredo: mentalizei essa chegada inúmeras vezes. Nos dias difíceis, “3h33” virava um mantra. No fim, completei a prova 4 minutos mais rápido que a meta.

Isso só reforça a mensagem que deixo para você: acredite em si mesmo. Porque difícil não significa impossível.

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