Em primeiro lugar é preciso lembrar que o sistema endócrino está intimamente ligado às respostas agudas e crônicas ao exercício físico.

 

Os hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas afetam todos os aspectos da função humana: ativam os sistemas enzimáticos, induzem a contração e o relaxamento dos músculos, estimulam a síntese das proteínas e das gorduras e determinam de que maneira o corpo responde ao stress físico e psicológico.

Os principais órgãos endócrinos são: hipófise, tireoide, paratireoides, suprarrenais, pineal, timo, pâncreas, gônadas (ovários e testículos), hipotálamo e tecido adiposo (gordura).

A secreção hormonal em geral ajusta-se rapidamente para atender às demandas impostas pelas modificações nas condições corporais. A maioria dos hormônios é liberada de maneira pulsátil, obedecendo intervalos regulares durante um ciclo de 24 horas. Essa secreção sofre interferência de diversos fatores, dentre eles o exercício físico e o sono.

 

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Vejamos cada um dos principais hormônios em separado:

 
Hipófise

A hipófise (ou glândula pituitária) está localizada debaixo da base do cérebro e secreta hormônios especializados em estimular outras glândulas do corpo, sendo com frequência denominada “glândula mestre”. Ela age sob estímulo neural do hipotálamo, região nobre do sistema nervoso central.

 
Hormônios tireóideos

A tireoide pesa cerca de 15 a 20 gramas e está localizada no pescoço, próximo da primeira parte da traqueia. Ela produz os principais hormônios metabólicos, a tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), a forma ativa do hormônio. Graças ao seu efeito estimulante sobre a atividade enzimática, esses hormônios aceleram o metabolismo de quase todas as células (exceto no cérebro, baço, testículos e útero), exercendo poderoso efeito termogênico e produzindo grandes desvios na taxa metabólica basal. Apesar do excesso de peso ser  frequentemente associado ao mal funcionamento da tireoide, menos de 3% das pessoas obesas mostram funções tireóideas anormais. Sabe-se que durante a atividade física os níveis sanguíneos de T4 livre aumentam em aproximadamente 35%.

 

 

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É importante salientar que o uso do hormônio tireoideano para fins de acelerar o metabolismo não é recomendado de rotina, visto que seus níveis em excesso geram maior catabolismo proteico, com subsequente fraqueza muscular e perda de peso, além do risco de arritmias cardíacas e distúrbios psicológicos, que variam de irritabilidade e insônia a psicose.

 
Paratormônio (PTH)

Produzido pelas paratireoides, controla o equilíbrio do cálcio no sangue, cuja principal função no organismo é modular a condução dos impulsos nervosos, a contração muscular e a coagulação do sangue. Existem algumas evidências sugerindo que a atividade física aumenta a liberação de PTH.

 
Hormônios da medula suprarrenal

Dominados coletivamente de catecolaminas (epinefrina e norepinefrina), esses hormônios afetam o coração, os vasos sanguíneos e as glândulas, resultando em maior atividade sobre a distribuição do fluxo sanguíneo, a contratilidade cardíaca e a mobilização de substratos energéticos.

 

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Hormônios do córtex suprarrenal

– Aldosterona (mineralocorticoide)

Regula os sais minerais sódio e potássio no líquido extracelular. O equilíbrio mineral apropriado mantém a transmissão nervosa e a função muscular.

– Cortisol (glicocorticoide)

Afeta o metabolismo da glicose, das proteínas e dos ácidos graxos livres. A secreção do cortisol alcança um pico pela manhã e diminui à noite, aumentando em situações de stress, jejum e exercício físico intenso. Seus níveis cronicamente elevados no sangue iniciam o fracionamento excessivo das proteínas e o desgaste dos tecidos, resultando, com isso, na perda de massa muscular. Seus níveis permanecem elevados por até 2 horas após a realização de uma atividade física.

– Desidroepiandrosterona (androgênio)

Exerce efeitos semelhantes aos do hormônio masculino dominante testosterona. Parece aprimorar o bem-estar e a responsividade sexual, além de reduzir depressão e ansiedade.

 

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Hormônios gonádicos

Os testículos no homem e os ovários na mulher são as glândulas reprodutoras, produzindo os hormônios que promovem as características físicas sexo-específicas e desencadeiam e mantêm a função reprodutora (produção de espermatozoides no homem e ovulação na mulher).

– Testosterona 

Exerce efeitos diretos sobre a síntese do tecido muscular, além de estimular a liberação de GH e aprimorar a capacidade produtora de força do músculo esquelético. Já é comprovado que a atividade física eleva seus valores no sangue.

– Estrogênios

O estradiol-17B acelera a mobilização dos ácidos graxos livres a partir do tecido adiposo (gordura) e inibe a captação da glicose pelos tecidos periféricos. Dessa forma, seu aumento durante a atividade física exerce influência metabólica semelhante ao GH.

 

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Insulina

Produzida pelo pâncreas, a insulina regula a entrada de glicose em todos os tecidos (principalmente células musculares e adiposas), com exceção do cérebro. A interação entre glicose e insulina funciona como um mecanismo de feedback que irá manter a concentração sanguínea de glicose dentro de limites estreitos. Há inibição da produção de insulina durante a atividade física, evitando a queda da glicemia e mobilizando progressivamente mais energia dos ácidos graxos livres (gordura).

 

Dra. Ana Clara Récha, Médica Endocrinologista da Sportif.