Por Walesca | Atleta Teo Esportes
A maratona não se resume ao dia da prova; ela é conquistada na consistência invisível dos meses de preparação. Acompanhe o depoimento da nossa atleta Walesca sobre como ela equilibrou a rotina de família, profissional e corredora para entregar todos os treinos e cravar 3h21min07s na Maratona de Porto Alegre.
Corri a Maratona Internacional de Porto Alegre, foi minha segunda maratona e uma experiência incrível.
Mas a verdade é que a maratona não aconteceu naquele dia. Ela começou muitos meses antes, muito antes até do ciclo específico de preparação.
Minha maratona anterior havia sido no Rio no ano passado. Queria, então, agora, a experiência de uma prova mais fria, mais plana, mais rápida e ainda dentro de casa (no caso, do país), daí a escolha de Porto Alegre.
Mas, correr uma maratona, quer dizer, o dia da prova propriamente dito, é tão-somente a cereja do bolo, podem acreditar! É a comemoração do final de um processo em que a gente já ganhou muito em aprendizado sobre si até mesmo se acontecer de não correr a prova (claro que não desejo isso pra ninguém, deve ser frustrante!). O que está por trás do que me trouxe até o dia da prova é talvez o que mais interessa.
Foram semanas de treinos consistentes, respeitando aqueles que não saíam tão bem, afinal somos humanos e há dias e dias, além do fato de não vivermos pra correr, pois temos nossas famílias, nosso trabalho, toda uma vida “correndo” em paralelo ao projeto maratona, não é mesmo?! Mas tem algo que eu não negocio: cumprir o treino. Todos, absolutamente todos os treinos foram entregues. E o que ajuda é pensar que cada um tem sua importância e que cada um daqueles treinos na planilha compõe uma nota que no final te faz tocar a sinfonia no dia da prova. Então, não negligencie! No início de um ciclo (lá atrás, não só do específico), de uma preparação, a gente não precisa enxergar o que vai dar lá na frente no final, mas valorizar o passo de cada vez, que, pra nós, é a planilha daquela semana, ou melhor, o treino daquele dia. Eu funciono bem assim.
E aí, a cada treino algo vai se formando e os objetivos (principalmente quanto a tempo/ritmo) vão se delineando com toda a ajuda das tecnologias de monitoramento, da nossa percepção do funcionamento de nosso corpo e dos feedbacks com o treinador. Combinei com o Teo e sempre coloquei minhas impressões no Training Peaks acerca do treino do dia (com meu linguajar leigo mesmo). E da mesma forma ele avaliava lá e me dava retorno (já na hora do almoço!) também. Isso funcionou tão bem, pois permitiu reavaliar rotas, ajustar sem demora!!!
E não posso deixar de destacar que pra enfrentar os longões, fazer parte de uma equipe e ter companhias que valorizam o coletivo não tem preço!!! Fosse com o pessoal do ponto da Pampulha ou com o pelotão Teo na Lagoa Seca, a animação é (boto no presente porque vai continuar!) garantida, fazendo com que levantar às 4h ou 4h30 aos sábados não seja nada absurdo.
Está bem, estou ainda emocionada com a prova, então, tendo a ver só as belezas. Mas não, nem tudo são flores, e a beleza está nisso também. No ciclo base, os treinos de VO2 máximo são os piores pra mim, levar meu corpo a esse tipo de extremo é sempre exaustivo e dá vontade de não fazer, mas é aí que entra a importância de entender com o treinador o papel de cada tipo de treino. Já no específico, os treinos de ritmo de maratona às terças, de 18 a 21km, é um desafio pra rotina de uma mulher que além de corredora também é mãe, esposa, dona de casa e profissional equilibrando esses pratinhos todos, mas, ao mesmo tempo, é uma satisfação enorme voltar de cada treino vislumbrando mais de perto o que é que se vai buscar na maratona pretendida.
E como fazer isso tudo? Como ter constância, disciplina, vencer o cansaço, a dúvida que bate de vez em quando (será que chego lá?)? Não acho que tenha uma receita, mas ajuda bem entender que a vida é feita de escolhas, que precisam ser reiteradas todos os dias desde o momento que a gente acorda até o momento de ir dormir (que inclusive é super importante!). Entendido isso, eu escolho todos os dias cuidar da minha alimentação (isso não quer dizer ficar absurdamente bitolada!), do meu sono, da minha força muscular, e, claro, pra isso, outras coisas ficam de fora (como uma saída às sextas à noite, por exemplo e o álcool a grande maioria das vezes) e tudo bem.
E aí a maratona foi chegando, nem acreditei que entreguei o treino de 28km de ritmo que entreguei, mas ainda com receio de não ser possível aquele ritmo na prova. Ouvi muitíssimo o Teo me dizendo para respeitar a semana de polimento, inclusive lembrando disso para organizar os treinos de força na academia! E então chegou o dia da prova: um tempo fresco (uns 15º na largada, que foi aumentando até o final) e bastante úmido, um percurso incrível, uma organização excelente, ótimo abastecimento de água, e fiquei exatamente dentro do ritmo que vinha sendo construído ao longo dos meses de treinamento fechando a prova em 3h21min07s.

Prova é um reloginho? Não. Variáveis que não controlo podiam ter interferido, sim. Mas fiz o que meu corpo aprendeu a fazer com cada um dos treinos ao longo do processo, tudo o mais “conspirou” a favor e voilá!
Enfim, o que gostaria de deixar como aprendizado é que essa maratona não foi conquistada no dia da prova, mas nas terças-feiras de ritmo, nas quintas-feiras de limiar, nos longões de sábado, no respeito às rodagens de quarta e domingo e na decisão diária de confiar no processo, no meu corpo, nos profissionais que me acompanharam.
Agora bate aquela sensação estranha do depois… uma mistura de felicidade com a conquista e um tipo de vazio do “e agora?”. Hora de respeitar de novo o tempo de voltar aos poucos, descansar, escolher a próxima maratona e começar tudo de novo!!! Porque é isso que a maratona faz com a gente: quando uma termina, a próxima já começa a ser construída. (Dica: ajuda muito fazer encontros de medalhas com os amigos corredores nesse momento!)





