Por Camila, atleta da Teo Esportes
A corrida é uma paixão de muitos anos. Quando iniciei, anos atrás, eu soube na primeira passada que nunca mais a largaria. Foi através da Teo Esportes que tudo começou: a minha jornada na corrida e, posteriormente, no triathlon.
O triathlon veio após algumas lesões de corrida. Por incentivo do meu treinador, foi uma forma de não parar os treinos, já que sempre gostei muito de me manter ativa. E eu me apaixonei.
Após alguns anos competindo, 2024 foi o ano dos grandes sonhos:
- Me tornei uma IRONMAN;
- Conquistei uma vaga para o mundial de IRONMAN em Nice, na França (chegando a treinar cerca de 22 horas por semana no auge);
- Encarei outro desafio gigante no mesmo ano: a maratona aquática do Rei e Rainha do Mar.
Após esses grandes eventos, pensei que havia finalizado o ciclo de grandes conquistas, mas veio a notícia mais transformadora de todas: a gravidez.
“Eu sabia que a pausa seria apenas na performance, nunca nos treinos.”
A Gestação: Movimento e Cuidado
Durante toda a gravidez, em 2025, me mantive ativa: nadando, pedalando indoor e correndo, sempre sob supervisão da minha médica e do meu treinador.
Eu sabia da importância de me manter em movimento por mim, pelo meu bebê e pelo meu retorno depois. Cheguei a treinar no dia do parto, o que me ajudou muito a passar por tudo da melhor forma possível.
O Retorno: Entre Mamadas e Linhas de Chegada
Voltei a correr 21 dias após o parto, me sentindo bem, feliz e grata. Foi uma vitória tão grande quanto qualquer linha de chegada que já cruzei.
Com 3 meses pós-parto, senti que era hora de voltar à performance. Me inscrevi na Maratona de Belo Horizonte e alinhei cada detalhe com o meu treinador.
Não foi fácil e ainda não é. Entre mamadas, noites mal dormidas e um cansaço que só quem é mãe entende, o treino precisava ser feito. E foi.
Foi uma prova incrível e me senti bem do início ao fim. Ali, reforcei meu objetivo com o esporte nesse novo momento: inspirar outras mulheres, principalmente mamães e futuras mamães, a acreditarem que somos capazes de tudo o que quisermos.
Novos Horizontes: Buenos Aires e o Legado
Eu acreditava que a maternidade me faria desacelerar. Mas ela me ensinou a correr com mais força e propósito.
Resolvi ir além e encarar mais uma grande prova: a Maratona de Buenos Aires. Fiz um ciclo redondo, sem lesões e com a mesma disciplina de antes. Porém, agora eu tinha algo muito mais poderoso ao meu lado. A maternidade me ensinou a ser muito mais forte, corajosa, paciente e resiliente.
Foi uma prova dura do início ao fim, mas vitoriosa. Cruzar aquela linha de chegada representou muitas vitórias em uma só:
- Vencer um ano desafiador;
- Assumir meu novo papel como mãe;
- Voltar a competir em alto nível;
- Redescobrir um novo significado no esporte.
Esse é o legado que quero deixar para o meu filho: Que ele aprenda na prática o que é disciplina, o que é ter um objetivo e correr atrás, e que ganhar e perder faz parte. Que a maior conquista não é a medalha, mas a pessoa que nos tornamos no caminho até ela.
Hoje, eu não corro mais apesar de ser mãe. Eu corro porque sou mãe.





