Por Marcela Peixoto / Aluna Teo Esportes
“No mundial, você não performa, você aproveita e comemora.”
Competir em um campeonato mundial era aquele clássico sonho de criança que, aos 24 anos, finalmente saiu do papel e se transformou em realidade no Mundial de Ironman 70.3, em Nice, na França.
E quer saber? É tudo isso mesmo — e até mais. Estar em uma linha de largada com atletas do mundo inteiro muda completamente a forma como você vive uma competição. Cada madrugada fria acordando cedo, cada dia de treino duríssimo, cada renúncia e cada “não” que precisei dizer ao longo da jornada passaram a fazer sentido em um segundo. Ali, todo mundo celebrava o mesmo esporte: uma modalidade que acolhe, desafia e ensina todos os dias.
Os Bastidores de um Ciclo Desafiador
O ciclo de preparação não foi um mar de rosas. Um edema ósseo e algumas inflamações teimosas me acompanharam durante boa parte dos treinos. No entanto, quando pousei em Nice, a dor deu lugar à certeza: tinha valido cada segundo.
Minha meta principal para essa prova era muito clara: voltar a sentir amor pelo triathlon e lembrar o motivo exato pelo qual treino e me dedico tanto todos os dias. E quer saber? Encontrei essa resposta logo de cara, vendo atletas de diferentes países, idades e histórias unidos pelo mesmo objetivo de se desafiar e cruzar a linha de chegada.
A Prova: Superação e Cenários Inesquecíveis
O Ciclismo (Alpes Franceses): Na subida dos Alpes, com a perna queimando, o calor nas costas e o suor escorrendo, eu só conseguia agradecer por estar viva e com saúde para viver aquilo. A subida longa cansa as pernas e a descida técnica exige demais da cabeça, mas a energia do cenário compensa tudo.
A Corrida (Promenade des Anglais): Correr às 14h sob aquele calor foi, sem dúvida, um teste de fogo. O gelo e a água dos postos de hidratação já não davam conta de refrescar, mas ao olhar para o mar e ver o azul mais bonito que já vi na vida, me peguei agradecendo de novo. Consegui correr feliz e leve do começo ao fim, reconectando-me com a minha paixão pelo esporte.
O Momento Mais Marcante: A Linha de Chegada Compartilhada
Se eu tivesse que escolher um único momento inesquecível, seria na reta final da corrida. Eu já estava no limite quando encontrei três atletas de cantos completamente diferentes do planeta: uma australiana, uma sul-africana e uma mexicana.
Decidimos cruzar a linha juntas. Fomos conversando o trecho final, esquecendo o cansaço físico e percebendo a dimensão do que estávamos realizando. Ouvir a história de cada uma — como conquistaram a vaga, há quanto tempo competiam e por que se apaixonaram pelo triathlon — lembrou-me que a maior vitória do esporte é a conexão humana.
Gratidão a Quem Faz Parte Desse Sonho
A energia de um mundial é algo único, difícil de traduzir em palavras. Por isso, deixo meu agradecimento mais sincero aos meus treinadores, ao meu fisioterapeuta e, principalmente, à minha família, por tornarem possível a realização dessa prova tão difícil, marcante e especial.
O triathlon exige muito, mas devolve em dobro para quem se entrega de coração. Que venham os próximos desafios!





