Por Sandro, alunos da Teo Esportes
Como completei seis meias maratonas europeias em dois anos — e o que aprendi para ajudar outros corredores.
Seis cidades, seis provas e um novo desafio
Em março de 2024, ao completar a Maratona de Tóquio, encerrei o desafio das Six Majors. Pouco tempo depois, comecei a procurar um novo objetivo que reunisse duas paixões: corrida de rua e viagens. Perto do fim daquele ano, logo após a minha última maratona, que corri em Valência, decidi colocar em prática a ideia de completar as SuperHalfs, circuito de seis meias maratonas europeias que podem ser uma ótima opção para aqueles corredores que não desejam correr uma maratona.
Em 2025, corri Praga, Berlim e Valência. Em 2026, foi a vez de Lisboa, Copenhague e Cardiff, onde recebi a SuperMedal. Foram seis provas, aproximadamente 126,6 quilômetros em competição e, principalmente, uma coleção de experiências que começou muito antes de cada largada: inscrições, arrecadações beneficentes, hotéis, logística em cada evento, retirada de kits, escolhas de percurso etc.
Escrevo este relato sobretudo para quem deseja organizar a própria jornada. As regras de inscrição e os valores mudam de edição para edição; por isso, apresento o que funcionou comigo e indico os canais oficiais para confirmar as condições atuais.
E sim, há vida além das Six Majors (agora Eight Majors), e ela pode ser muito desafiadora e aprazível.
Como funciona o SuperHalfs
O circuito reúne as meias maratonas de Lisboa, Praga, Berlim, Copenhague, Cardiff e Valência. É possível completá-las em qualquer ordem e, atualmente, sem prazo máximo. Para acompanhar a jornada, o corredor cria gratuitamente um SuperPassport e informa seu número nas inscrições, permitindo o registro dos resultados oficiais. Ao completar as seis provas, recebe a SuperMedal e passa a integrar o Hall of Fame do circuito.
As seis corridas são organizadas separadamente. Não existe um único processo de inscrição: conforme a edição, podem existir venda direta, sorteio, vagas beneficentes e pacotes de operadores turísticos autorizados. Por isso, a primeira recomendação é montar um calendário de abertura das inscrições e verificar as regras no site de cada evento.
2025: três provas e três caminhos diferentes para conseguir vaga
Praga: a minha inscrição mais simples
Comecei por Praga. Na época, bastou acessar o site da RunCzech e efetuar a inscrição, sem sorteio nem grandes dificuldades. Foi assim que garanti a primeira etapa para 2025. Esse procedimento, porém, não deve ser tomado como regra para edições futuras: a procura cresceu e os modelos de acesso vêm mudando.
Berlim: uma vaga beneficente e a descoberta do fim de semana duplo
Logo após me inscrever em Praga, descobri que a Meia Maratona de Berlim aconteceria no dia seguinte à corrida de sábado em Praga (Berlim não fazia parte do circuíto até alguns anos atrás). Vi a oportunidade de completar duas SuperHalfs em um único fim de semana. Como não havia mais vagas para a prova em Berlim, consegui a vaga por meio de uma doação a uma instituição de caridade; no meu caso, o valor da doação já incluía a inscrição na prova. Provas definidas, comecei a trabalhar na logística do fim de semana esportivo.
Uma sexta-feira de nove horas de estrada para buscar o kit
Já na Europa, coloquei o meu plano logístico em prática. Como em Praga, eu poderia retirar o kit na quinta, sexta ou antes da corrida de sábado, e em Berlim, a retirada ocorria na sexta e no sábado, organizei então uma operação de transporte que permitisse cumprir ambos os compromissos.
Em Praga retirei meu kit na quinta-feira e a primeira parte do plano estava completa. Na sexta, bem cedo, embarquei em um FlixBus na estação central de Praga rumo a Berlim. Escolhi uma chegada em rodoviária a cerca de um quilômetro da Messe Berlin, onde retirei o kit. Com o material em mãos, voltei à rodoviária e peguei outro FlixBus de volta para Praga. Foram aproximadamente nove horas de estrada apenas nesse bate-volta.
No sábado pela manhã, corri Praga. Logo após a prova, voltei ao hotel, tomei banho, peguei as malas e embarquei novamente para Berlim. Desta vez, escolhi uma parada de ônibus a cerca de 200 metros do hotel. Dormi em Berlim e, no domingo, corri a segunda meia maratona.
Muita gente prefere o trem entre as duas cidades. Escolhi o ônibus porque as paradas atendiam exatamente aos lugares onde eu precisava estar: estação central em Praga, região de retirada do kit e proximidade do hotel em Berlim. O melhor transporte, nesse caso, não era necessariamente o mais rápido entre terminais, mas o que eliminava conexões e deslocamentos adicionais.
Oito minutos mais rápido no segundo dia
Controlei o ritmo em Praga, consciente de que teria outra meia maratona no dia seguinte. Cheguei a Berlim cansado, naturalmente, depois de tantas horas de viagem. Mas a corrida fluiu de maneira que nem eu esperava: meu tempo em Berlim foi oito minutos mais rápido do que em Praga e, nesse dia, voltei a correr a distância abaixo de 2 horas (o que não acontecia a algum tempo). Com a devida preparação e sem criar grandes expectivas, consegui realizar as duas provas sequencialmente em um final de semana perfeito, e a experiência valeu muito à pena.
Valência: percurso plano e inscrição facilitada pela maratona
Minha terceira SuperHalf foi Valência, em outubro de 2025. Como havia corrido a Maratona de Valência no final de 2024, tive direito a me inscrever na meia do ano seguinte. Mais uma vez, uma regra específica do evento abriu uma possibilidade importante — que deve ser confirmada para cada nova edição.
Na minha opinião, o percurso da meia maratona é mais interessante que o da maratona: é totalmente plano e não repete trechos. A cidade tem tradição de tempos rápidos, mas também oferece uma experiência agradável para quem quer aproveitar a corrida. Escolhi um hotel de onde pudesse ir a pé até a largada e voltar caminhando depois da chegada. Assim, terminei 2025 com metade do circuito concluída.
2026: três provas para chegar à SuperMedal
Lisboa: a ponte, o recorde e a vantagem de viajar com especialistas
Para Lisboa, resolvi contratar a Sub4 Turismo Esportivo, agência autorizada que conhecia bem o circuito. Foi uma escolha decisiva não apenas pela inscrição: o pacote incluiu transporte do hotel até a largada e retorno após a corrida, além de café da manhã antecipado no hotel no dia da prova.
A largada sobre a Ponte 25 de Abril é espetacular, com uma vista que faz a prova valer a viagem. Mas o acesso ao ponto de partida também pode ser complicado, com grande concentração de corredores. Ter o transfer organizado evitou preocupações com metrô, conexões e o retorno depois de correr. E o café da manhã em horário adaptado à prova foi outro cuidado que fez diferença.
A edição de 8 de março de 2026 ainda entrou para a história: naquele dia o ugandense Jacob Kiplimo estabeleceu o recorde mundial masculino da meia maratona, com 57min20s. Estar em uma corrida com um feito desse porte tornou a experiência ainda mais especial.
Copenhague: conhecer a Dinamarca e correr em um Mundial
Eu ainda não conhecia a Dinamarca, e Copenhague me surpreendeu muito. A programação teve uma corrida de 5 km no sábado, antes da meia maratona de domingo. Em 2026, a cidade recebeu o Campeonato Mundial de Corrida de Rua, e o ambiente era de uma grande celebração do atletismo.
O circuito foi excelente, com muita gente nas ruas torcendo. E, pela segunda vez naquele ano, participei de um evento marcado por um recorde mundial: Agnes Ngetich venceu a meia maratona feminina em 1h05min15s, recorde mundial para corrida exclusivamente feminina. É importante fazer essa distinção, pois os recordes de provas femininas sem homens e de provas mistas são categorias diferentes.
Minha inscrição veio por uma vaga beneficente, com compromisso de arrecadação de 450 euros, já incluindo a inscrição. Pude criar uma página para pedir contribuições a amigos; arrecadei parte do valor dessa forma e completei o restante com uma doação pessoal.
Cardiff: a torcida, as subidas e a chegada que valia por seis
A última prova foi Cardiff, no País de Gales, outro destino que eu ainda não conhecia e que me surpreendeu positivamente. O que mais marcou a corrida foi a torcida: famílias inteiras incentivando os participantes, pessoas chamando os corredores pelo nome e crianças oferecendo balas e doces ao longo do trajeto.
O percurso é predominantemente plano, muito bonito e sem repetição de trechos, mas tem desafios que merecem atenção. Há uma subida por volta do quilômetro 5 e outras na segunda metade. A que mais senti foi uma subida bastante íngreme a aproximadamente 1,5 km da chegada. Por isso, quem pretende buscar um bom tempo deve olhar a altimetria com cuidado e reservar energia para os quilômetros finais.
Mais uma vez, a hospedagem foi escolhida pensando no dia da prova: o hotel ficava a aproximadamente 300 metros da largada. Para voltar ao Brasil no dia seguinte, encontrei um FlixBus com embarque a cerca de 500 metros do hotel e destino direto ao aeroporto de Heathrow, em Londres. Assim, evitei conexões e deslocamentos adicionais.
Para Cardiff, o compromisso beneficente foi de 450 libras esterlinas, também com a inscrição incluída. Como em Copenhague, pude criar uma campanha de arrecadação, receber doações de amigos e completar o valor com recursos próprios.
A SuperMedal, enfim
Ao cruzar o pórtico de chegada em Cardiff, vi logo o estande da SuperHalfs. Ali pude receber a medalha da própria Meia Maratona de Cardiff e também a SuperMedal, símbolo da conclusão das seis provas. Foi um momento especial: o projeto imaginado depois de Tóquio, em 2024, estava completo.
A SuperMedal representa as seis corridas, mas também os caminhos encontrados para chegar a cada largada, as pessoas que ajudaram, os países descobertos e as lembranças de cada cidade. Para mim, essa é uma das grandes recompensas da corrida de rua.
Guia prático: como planejar as seis inscrições
| Prova | Como consegui a vaga | O que verificar para a próxima edição |
| Praga 2025 | Compra direta no site RunCzech | Venda direta ou sorteio; abertura das inscrições |
| Berlim 2025 | Vaga beneficente, inscrição incluída | Sorteio, instituições e prazos de kit |
| Valência 2025 | Direito após maratona de 2024 | Regras de prioridade e sistema de inscrição |
| Lisboa 2026 | Pacote com Sub4 Turismo Esportivo | Agências autorizadas, transfers e hotel |
| Copenhague 2026 | Beneficente: € 450, inscrição incluída | Meta de arrecadação e taxas adicionais |
| Cardiff 2026 | Beneficente: £ 450, inscrição incluída | Meta de arrecadação e taxas adicionais |
Os valores acima descrevem somente minhas experiências nas respectivas edições. As instituições podem cobrar taxas extras, exigir metas diferentes ou adotar regras distintas. Em outras provas beneficentes, como Tóquio em 2024, precisei pagar o valor integral da doação assim que fui aceito, enquanto Copenhague e Cardiff permitiram arrecadação ao longo de um período.
Sete recomendações que eu daria a quem vai começar
1. Crie seu SuperPassport antes de se inscrever e confira se cada resultado foi registrado.
2. Acompanhe os sites oficiais: a disponibilidade e o método de inscrição podem mudar de um ano para outro.
3. Considere canais beneficentes e agências autorizadas quando não houver vaga convencional; leia as condições antes de pagar.
4. Ao comparar custos de vagas beneficentes, confirme se a inscrição está incluída, se há taxa extra e quando a arrecadação precisa ser concluída.
5. Antes de combinar o fim de semana Praga-Berlim, confira os dias e horários de retirada dos kits — inclusive se há retirada no dia da corrida.
6. Escolha hospedagem considerando o caminho até a largada, a chegada e os pontos de transporte; pergunte sobre café da manhã antecipado.
7. Analise o trajeto completo, não apenas o tempo de trem ou ônibus. Preserve margens para atrasos e respeite seus limites físicos.
Sites oficiais para consultar antes de comprar
SuperHalfs / SuperPassport: https://www.superhalfs.com/en/
RunCzech — Praga: https://www.runczech.com/en
Berlim: https://www.generali-berliner-halbmarathon.de/en/
Valência: https://www.valenciaciudaddelrunning.com/en/half/
Lisboa: https://www.maratonaclubedeportugal.com/
Copenhague: https://cphhalf.dk/en/
Cardiff: https://www.cardiffhalfmarathon.co.uk/
Sub4 Turismo Esportivo: https://www.sub4.com.br





